Esta música é uma daquelas que me acompanhou desde sempre: E é o bom da música é que ela acompanha-nos sempre na nossa vida, numa série de situações diferentes. Esta música consegue fazer isso na perfeição. Já é um mito - de tal forma que por vezes pergunto-me se será mesmo verdade - que era um recado por parte de Kai Hansen aos restantes membros dos Helloween, que ele estava farto. E como é possível verificar na própria letra, existem muitas situações onde isto se pode encaixar, muitas situações que vivi e que de certeza todos nós vivemos. A moral da história, por assim dizer, é que temos valor e que há uma altura em que temos que acreditar em nós próprios e lutar por aquilo que merecemos. Seja para deixar uma banda no pico de forma (algo que nunca conseguiram recuperar totalmente) e começar do zero, para deixar uma relação ou para deixar um emprego. Sem rede, sem nada a não ser o coração a guiar. I Want Out é o grito do ipiranga que todos nós devemos ter sempre que o nosso coração grita por liberdade.
Quando o F.M.I. chegou outra vez ao nosso país nos últimos anos, esta música voltou a estar na berlinda, mas confesso que ela tinha-me chegado antes e que embora me tivesse conquistado não só pelo retrato da realidade portuguesa (embora de uma realidade totalmente diferente mas ainda assustadoramente real, porque por muito que as coisas mudem, elas ficam sempre na mesma) mas principalmente pelo retrato interior de alguém que tem nas palavras a sua maior força, na capacidade de sonhar a sua inevitabilidade e no viver na sociedade presente o seu maior desafio. Esta é sem dúvida uma das grandes músicas da minha vida, com uma força incomparável. Com troika ou sem troika, esta será uma música que fará sempre sentido para mim.
Cachucho não é coisa que me traga a mim
Mais novidade do que lagostim
Nariz que reconhece o cheiro do pilim
Distingue bem o mortimor do meirim
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Há tanto nesta terra que ainda está por fazer
Entrar por aí a dentro, analisar, e então
Do meu 'attachi-case' sai a solução!
FMI Não há graça que não faça o FMI
FMI O bombástico de plástico para si
FMI Não há força que retorça o FMI
Discreto e ordenado mas nem por isso fraco
Eis a imagem 'on the rocks' do cancro do tabaco
Enfio uma gravata em cada fato-macaco
E meto o pessoal todo no mesmo saco
A produtividade, ora aí está, quer dizer
Não ando aqui a brincar, não há tempo a perder
Batendo o pé na casa, espanador na mão
É só desinfectar em superprodução!
FMI Não há truque que não lucre ao FMI
FMI O heróico paranóico 'hara-quiri'
FMI Panegírico, pro-lírico daqui
Palavras, palavras, palavras e não só
Palavras para si e palavras para dó
A contas com o nada que swingar o sol-e-dó
Depois a criadagem lava o pé e limpa o pó
A produtividade, ora nem mais, célulazinhas cinzentas
Sempre atentas
E levas pela tromba se não te pões a pau
Num encontrão imediato do 3º grau!
FMI Não há lenha que detenha o FMI
FMI Não há ronha que envergonhe o FMI
FMI ...
Entretém-te filho, entretém-te, não desfolhes em vão este malmequer que bem-te-quer, mal-te-quer, vem-te-quer, ovomalt'e-quer, messe gigantesca, vem-te vindo, vi-me na cozinha, vi-me na casa-de-banho, vi-me no Politeama, vi-me no Águia D'ouro, vi-me em toda a parte, vem-te filho, vem-te comer ao olho, vem-te comer à mão, olha os pombinhos pneumáticos que te orgulham por esses cartazes fora, olha a Música no Coração da Indira Gandi, olha o Muchê Dyane que te traz debaixo d'olho, o respeitinho é muito lindo e nós somos um povo de respeito, né filho? Nós somos um povo de respeitinho muito lindo, saímos à rua de cravo na mão sem dar conta de que saímos à rua de cravo na mão a horas certas, né filho? Consolida filho, consolida, enfia-te a horas certas no casarão da Gabriela que o malmequer vai-te tratando do serviço nacional de saúde. Consolida filho, consolida, que o trabalhinho é muito lindo, o teu trabalhinho é muito lindo, é o mais lindo de todos, como o astro, não é filho? O cabrão do astro entra-te pela porta das traseiras, tu tens um gozo do caraças, vais dormir entretido, não é? Pois claro, ganhar forças, ganhar forças para consolidar, para ver se a gente consegue num grande esforço nacional estabilizar esta destabilização filha-da-puta, não é filho? Pois claro! Estás aí a olhar para mim, estás a ver-me dar 33 voltinhas por minuto, pagaste o teu bilhete, pagaste o teu imposto de transação e estás a pensar lá com os teus botões: Este tipo está-me a gozar, este gajo quem é que julga que é? Né filho? Pois não é verdade que tu és um herói desde de nascente? A ti não é qualquer totobola que te enfia o barrete, meu grande safadote! Meu Fernão Mendes Pinto de merda, né filho? Onde está o teu Extremo Oriente, filho? Ah-ni-qui-bé-bé, ah-ni-qui-bó-bó, tu és 'Sepuldra' tu és Adamastor, pois claro, tu sozinho consegues enrabar as Nações Unidas com passaporte de coelho, não é filho? Mal eles sabem, pois é, tu sabes o que é gozar a vida! Entretém-te filho, entretém-te! Deixa-te de políticas que a tua política é o trabalho, trabalhinho, porreirinho da Silva, e salve-se quem puder que a vida é curta e os santos não ajudam quem anda para aqui a encher pneus com este paleio de Sanzala e ritmo de pop-xula, não é filho?
A one, a two, a one two three
FMI dida didadi dadi dadi da didi
FMI ...
Come on you son of a bitch! Come on baby a ver se me comes! Come on Luís Vaz, 'amanda'-lhe com o José Cacila que os senhores já vão ver o que é meterem-se com uma nação de poetas! E zás, enfio-te o Manuel Alegre no Mário Soares, zás, enfio-te o Ary dos Santos no Álvaro de Cunhal, zás, enfio-te o Zé Fanha no Acácio Barreiros, zás, enfio-te a Natalia Correia no Sá Carneiro, zás, enfio-te o Pedro Homem de Melo no Parque Mayer e acabamos todos numa sardinhada ao integralismo Lusitano, a estender o braço, meio 'Roulant' preto, meio Steve McQueen, ok boss, tudo ok, estamos numa porreira meu, um tripe fenomenal, proibido voltar atrás, viva a liberdade, né filho? Pois, o irreversível, pois claro, o irreversívelzinho, pluralismo a dar com um pau, nada será como dantes, agora todos se chateiam de outra maneira, né filho? Ora que porra, deixa lá correr uma fila ao menos, malta pá, é assim mesmo, cada um a curtir a sua, podia ser tão porreiro, não é? Preocupações, crises políticas pá? A culpa é dos partidos pá! Esta merda dos partidos é que divide a malta pá, pois pá, é só paleio pá, o pessoal na quer é trabalhar pá! Razão tem o Jaime Neves pá! (Olha deixaste cair as chaves do carro!) Pois pá! (Que é essa orelha de preto que tens no porta-chaves?) É pá, deixa-te disso, não destabilizes pá! Eh, faz favor, mais uma bica e um pastel de nata. Uma porra pá, um autentico desastre o 25 de Abril, esta confusão pá, a malta estava sossegadinha, a bica a 15 tostões, a gasosa a sete e coroa... Tá bem, essa merda da pide pá, Tarrafais e o carágo, mas no fim de contas quem é que não colaborava, ah? Quantos bufos é que não havia nesta merda deste país, ah? Quem é que não se calava, quem é que arriscava coiro e cabelo, assim mesmo, o que se chama arriscar, ah? Meia dúzia de líricos, pá, meia dúzia de líricos que acabavam todos a fugir para o estrangeiro, pá, isto é tudo a mesma carneirada! Oh sr. guarda venha cá, á, venha ver o que isto é, é, o barulho que vai aqui, i, o neto a bater na avó, ó, deu-lhe um pontapé no cu, né filho? Tu vais conversando, conversando, que ao menos agora pode-se falar, ou já não se pode? Ou já começaste a fazer a tua revisãozinha constitucional tamanho familiar, ah? Estás desiludido com as promessas de Abril, né? As conquistas de Abril! Eram só paleio a partir do momento que tas começaram a tirar e tu ficaste quietinho, né filho? E tu fizeste como o avestruz, enfiaste a cabeça na areia, não é nada comigo, não é nada comigo, né? E os da frente que se lixem... E é por isso que a tua solução é não ver, é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada, precisas de paz de consciência, não andas aqui a brincar, né filho? Precisas de ter razão, precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de Março, para os do 25 de Novembro, para os do... que dia é hoje, ah?
FMI Dida didadi dadi dadi da didi
FMI ...
Não há português nenhum que não se sinta culpado de qualquer coisa, não é filho? Todos temos culpas no cartório, foi isso que te ensinaram, não é verdade? Esta merda não anda porque a malta, pá, a malta não quer que esta merda ande, tenho dito. A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém, não é isto verdade? Quer isto dizer, há culpa de todos em geral e não há culpa de ninguém em particular! Somos todos muita bons no fundo, né? Somos todos uma nação de pecadores e de vendidos, né? Somos todos, ou anti-comunistas ou anti-faxistas, estas coisas até já nem querem dizer nada, ismos para aqui, ismos para acolá, as palavras é só bolinhas de sabão, parole parole parole e o Zé é que se lixa, cá o pintas azeite mexilhão, eu quero lá saber deste paleio vou mas é ao futebol, pronto, viva o Porto, viva o Benfica, Lourosa, Lourosa, Marraças, Marraças, fora o arbitro, gatuno, bora tudo p'ro caralho, razão tinha o Tonico de Bastos para se entreter, né filho? Entretém-te filho, com as tuas viúvas e as tuas órfãs que o teu delegado sindical vai tratando da saúde aos administradores, entretém-te, que o ministro do trabalho trata da saúde aos delegados sindicais, entretém-te filho, que a oposição parlamentar trata da saúde ao ministro do trabalho, entretém-te, que o Eanes trata da saúde à oposição parlamentar, entretém-te, que o FMI trata da saúde ao Eanes, entretém-te filho e vai para a cama descansado que há milhares de gajos inteligentes a pensar em tudo neste mesmo instante, enquanto tu adormeces a não pensar em nada, milhares e milhares de tipos inteligentes e poderosos com computadores, redes de policia secreta, telefones, carros de assalto, exércitos inteiros, congressos universitários, eu sei lá! Podes estar descansado que o Teng Hsiao-Ping está a tratar de ti com o Jimmy Carter, o Brezhnev está a tratar de ti com o João Paulo II, tudo corre bem, a ver quem se vai abotoar com os 25 tostões de riqueza que tu vais produzir amanhã nas tuas oito horas. A ver quem vai ser capaz de convencer de que a culpa é tua e só tua se o teu salário perde valor todos os dias, ou de te convencer de que a culpa é só tua se o teu poder de compra é como o rio de S. Pedro de Moel que se some nas areias em plena praia, ali a 10 metros do mar em maré cheia e nunca consegue desaguar de maneira que se possa dizer: porra, finalmente o rio desaguou! Hão te convencer de que a culpa é tua e tu sem culpa nenhuma, tens tu a ver, tens tu a ver com isso, não é filho? Cada um que se vá safando como puder, é mesmo assim, não é? Tu fazes como os outros, fazes o que tens a fazer, votas à esquerda moderada nas sindicais, votas no centro moderado nas deputais, e votas na direita moderada nas presidenciais! Que mais querem eles, que lhe ofereças a Europa no natal?! Era o que faltava! É assim mesmo, julgam que te levam de mercedes, ora toma, para safado, safado e meio, né filho? Nem para a frente nem para trás e eles que tratem do resto, os gatunos, que são pagos para isso, né? Claro! Que se lixem as alternativas, para trabalho já me chega. Entretém-te meu anjinho, entretém-te, que eles são inteligentes, eles ajudam, eles emprestam, eles decidem por ti, decidem tudo por ti, se hás-de construir barcos para a Polónia ou cabeças de alfinete para a Suécia, se hás-de plantar tomate para o Canada ou eucaliptos para o Japão, descansa que eles tratam disso, se hás-de comer bacalhau só nos anos bissextos ou hás-de beber vinho sintético de Alguidares-de-Baixo! Descansa, não penses em mais nada, que até neste país de pelintras se acho normal haver mãos desempregadas e se acha inevitável haver terras por cultivar! Descontrai baby, come on descontrai, arrefinfa-lhe o Bruce Lee, arrefinfa-lhe a macrobiótica, o biorritmo, o euroscópio, dois ou três ofeneologistas, um gigante da ilha de Páscoa e uma 'Graciv Morn' (??) de vez em quando para dar as boas festas às criancinhas! Piramiza filho, piramiza, antes que os chatos fujam todos para o Egipto, que assim é que tu te fazes um homenzinho e até já pagas multa se não fores ao recenseamento. Pois pá, isto é um país de analfabetos, pá! Dá-lhe no Travolta, dá-lhe no disco-sound, dá-lhe no pop-xula, pop-xula pop-xula, iehh iehh, J. Pimenta forever! Quanto menos souberes a quantas andas melhor para ti, não te chega para o bife? Antes no talho do que na farmácia; não te chega para a farmácia? Antes na farmácia do que no tribunal; não te chega para o tribunal? Antes a multa do que a morte; não te chega para o cangalheiro? Antes para a cova do que para não sei quem que há-de vir, cabrões de vindouros, ah? Sempre a merda do futuro, a merda do futuro, e eu ah? Que é que eu ando aqui a fazer? Digam lá, e eu? José Mário Branco, 37 anos, isto é que é uma porra, anda aqui um gajo cheio de boas intenções, a pregar aos peixinhos, a arriscar o pêlo, e depois? É só porrada e mal viver é? O menino é mal criado, o menino é 'pequeno burguês', o menino pertence a uma classe sem futuro histórico... Eu sou parvo ou quê? Quero ser feliz porra, quero ser feliz agora, que se foda o futuro, que se foda o progresso, mais vale só do que mal acompanhado, vá mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa, filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos! Deixem-me em paz porra, deixem-me em paz e sossego, não me emprenhem mais pelos ouvidos caralho, não há paciência, não há paciência, deixem-me em paz caralho, saiam daqui, deixem-me sozinho, só um minuto, vão vender jornais e governos e greves e sindicatos e policias e generais para o raio que vos parta! Deixem-me sozinho, filhos da puta, deixem só um bocadinho, deixem-me só para sempre, tratem da vossa vida que eu trato da minha, pronto, já chega, sossego porra, silêncio porra, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me morrer descansado. Eu quero lá saber do Artur Agostinho e do Humberto Delgado, eu quero lá saber do Benfica e do bispo do Porto, eu quero se lixe o 13 de Maio e o 5 de Outubro e o Melo Antunes e a rainha de Inglaterra e o Santiago Carrilho e a Vera Lagoa, deixem-me só porra, rua, larguem-me, zórpila o fígado, arreda, 'terneio' Satanás, filhos da puta. Eu quero morrer sozinho ouviram? Eu quero morrer, eu quero que se foda o FMI, eu quero lá saber do FMI, eu quero que o FMI se foda, eu quero lá saber que o FMI me foda a mim, eu vou mas é votar no Pinheiro de Azevedo se eu tornar a ir para o hospital, pronto, bardamerda o FMI, o FMI é só um pretexto vosso seus cabrões, o FMI não existe, o FMI nunca aterrou na Portela coisa nenhuma, o FMI é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio, rua, desandem daqui para fora, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe...
Mãe, eu quero ficar sozinho... Mãe, não quero pensar mais... Mãe, eu quero morrer mãe.
Eu quero desnascer, ir-me embora, sem ter que me ir embora. Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim, outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo, de quê mãe? Diz, são coisas que se me perguntem? Não pode haver razão para tanto sofrimento. E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viajem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe... Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias, lembrar o depois do adeus, e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar...
Assim mesmo, como entrevi um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o azul dos operários da Lisnave a desfilar, gritando ódio apenas ao vazio, exército de amor e capacetes, assim mesmo na Praça de Londres o soldado lhes falou: Olá camaradas, somos trabalhadores, eles não conseguiram fazer-nos esquecer, aqui está a minha arma para vos servir. Assim mesmo, por detrás das colinas onde o verde está à espera se levantam antiquíssimos rumores, as festas e os suores, os bombos de lava-colhos, assim mesmo senti um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o bater inexorável dos corações produtores, os tambores. De quem é o carvalhal? É nosso! Assim te quero cantar, mar antigo a que regresso. Neste cais está arrimado o barco sonho em que voltei. Neste cais eu encontrei a margem do outro lado, Grandola Vila Morena. Diz lá, valeu a pena a travessia? Valeu pois.
Pela vaga de fundo se sumiu o futuro histórico da minha classe, no fundo deste mar, encontrareis tesouros recuperados, de mim que estou a chegar do lado de lá para ir convosco. Tesouros infindáveis que vos trago de longe e que são vossos, o meu canto e a palavra, o meu sonho é a luz que vem do fim do mundo, dos vossos antepassados que ainda não nasceram. A minha arte é estar aqui convosco e ser-vos alimento e companhia na viagem para estar aqui de vez. Sou português, pequeno burguês de origem, filho de professores primários, artista de variedades, compositor popular, aprendiz de feiticeiro, faltam-me dentes. Sou o Zé Mário Branco, 37 anos, do Porto, muito mais vivo que morto, contai com isto de mim para cantar e para o resto.
Os Pantera foram uma banda que na sua segunda fase nos trouxeram muitas músicas clássicas e inovadoras. É difícil uma banda conseguir romper com o passado e mesmo assim soar clássico e foi o que cada um dos álbuns da banda texana nos trouxe, até mesmo o seu último trabalho, nitidamente menos inspirado que os anteriores. Uma das grandes representações dessa capacidade de romper com o passado e ao mesmo tempo conseguir soar refrescante é sem dúvida Walk. O riff, como a marca universal e cartão de apresentação é clássico. As letras, tão cheias de raiva e tão lá no sítio, que ainda hoje nos fazem levantar os braços em consonância quando se ouve Phil Anselmo a cantar "Res. Pect. Walk!". E o solo, apenas mais uma demonstração do monstro da guitarra que era Dimebag Darrel. É a perfeição a conjugar-se em forma de música e a representação daquilo que uma música de heavy metal deve ser. Agressiva, raivosa, marcante. Walk!
Se existir uma música que consiga misturar mistério, sensualidade, um factor de hipnose e até um certo peso que não ficaria muito longe - atenção que estamos a falar de uma música da década de 60 - essa música é sem dúvida, Fever. Já muitas bandas, cantores e cantoras fizeram versões dela, nas mais variadas versões, mas o original continua a ter um encanto fantástico. É sem dúvida um grande tema, imortal, que define melhor que outra qualquer o desejo e paixão por alguém. Swing próprio do jazz e uma classe imbatível, está aqui uma música que apesar de a ter ouvido pela primeira vez num filme de Jerry Lewis (O Homem das Mulheres se não estou em erro) e desde aí que me acompanhou até hoje, até mesmo agora enquanto escrevo estas palavras, a voz sedutora de Peggy Lee continua a assombrar-me, tal como vez na última semana, quando decidi que deveria escolher este tema aqui para a biblioteca de músicas especiais, assim como vai ficar durante tempo indeterminado. Não há nada a fazer a não ser bater o pé e estalar os dedos ao ritmo do contrabaixo.
Som manhoso. Heavy metal primitivo pelo menos para nós portugueses. Numa altura em que o heavy metal era novo no nosso país e que ainda não se tinha institucionalizado que era uma coisa de drogados e satânicos, não pelo menos de uma forma geral. Numa altura em que a RTP 2 (na altura TV2) passava vídeos de metal, antes de Moonspell ter explodido lá fora, num tempo em que os Tarântula eram a face mais vísivel do heavy metal nacional, existia um underground, ainda que não comparável ao que temos hoje em dia em número de sítios para concertos ou até mesmo na oferta de concertos, que tinha uma série de bandas novas a surgirem. Uma dessas bandas foram os Procyon que tocavam um heavy metal com tiques de thrash de qualidade ímpar. Não em termos de som, que é precário por aquilo que podem comprovar neste videoclip, mas em termos de composição, que apesar de revelar toda a sua ingenuidade, é mesmo essa ingenuidade e um feeling genuíno, um amor verdadeiro para com este som que faz com que esta primeira demo - uma demo com direito a videoclip, algo bastante raro para não dizer inédito - seja um tesouro para a história do nosso undergound nacional. E aquele solo... quantas vezes ele não passou em loop... clássico!
Esta deverá ter sido a primeira música dos Beatles pela qual me apaixonei, isto sem saber sequer que era deles. Tudo por causa de um momento do filme O Rei dos Gazeteiros, em que o Mathew Broderick, em pleno dia de Gazeta, dá espectáculo num desfile em Nova Iorque, a cantar duas músicas, uma delas, este clássico rock’n’roll da mais famosa banda do estilo de sempre. Não é propriamente a música mais clássica deles, mas sem dúvida que é um tema que tem tudo aquilo que representa o que é o verdadeiro rock’n’roll, próprio do espírito norte-americano e claro, como tal, nascido a partir de um grupo inglês. Pode ter mais de um século de vida, mas continua a despertar em mim o mesmo entusiasmo que despertou na primeira vez que ouvi e continua a ser uma das músicas, ainda que de uma forma muito primitiva, que tem os elementos que me levaram a apaixonar pela sonoridade da guitarra. Basta ouvir para perceber o porquê.
Well, shake it up, baby, now (Shake it up, baby)
Twist and shout (Twist and shout)
C'mon c'mon, c'mon, c'mon, baby, now (Come on baby)
Come on and work it on out (Work it on out)
Well, work it on out, honey (Work it on out)
You know you look so good (Look so good)
You know you got me goin', now (Got me goin')
Just like I knew you would (Like I knew you would)
Well, shake it up, baby, now (Shake it up, baby)
Twist and shout (Twist and shout)
C'mon, c'mon, c'mon, c'mon, baby, now (Come on baby)
Come on and work it on out (Work it on out)
You know you twist your little girl (Twist, little girl)
You know you twist so fine (Twist so fine)
Come on and twist a little closer, now (Twist a little closer)
And let me know that you're mine (Let me know you're mine)
Well, shake it up, baby, now (Shake it up, baby)
Twist and shout (Twist and shout)
C'mon, c'mon, c'mon, c'mon, baby, now (Come on baby)
Come on and work it on out (Work it on out)
You know you twist your little girl (Twist, little girl)
You know you twist so fine (Twist so fine)
Come on and twist a little closer, now (Twist a little closer)
Aand let me know that you're mine (Let me know you're mine)
Well, shake it, shake it, shake it, baby, now (Shake it up baby)
Well, shake it, shake it, shake it, baby, now (Shake it up baby)
Well, shake it, shake it, shake it, baby, now (Shake it up baby)
Metallica, para mim, mais do que pela música, sempre se distinguiram pelas letras poderosas e isso teve uma relação inversa em relação à música, isto é, conforme a música ia suavizando, as letras ficando cada vez mais certeiras a lidar com problemas e demónios interiores, dos quais haverá por parte dos apreciadores mais ou menos identificação – esta teoria só tem fundamento se esquecermos a infelicidade que foi o St. Anger e uma ou outra excepção.
Dyers Eve é um poço de agressividade complexa que bate certo, em tudo, com o seu conteúdo lírico. Resumidamente, poderá dizer-se que se trata de uma declaração por parte de um adolescente aos seus pais, mas é sentido como um grito de revolta mudo, um grito que provavelmente Hetfield deu muitas vezes em silêncio e que muitos jovens deram em direcção aos seus pais, no seu quarto, à porta fechada, sem que ninguém os pudesse ouvir, ninguém a não ser o próprio Hetfield a vociferar pelas colunas. É certo que a produção deste álbum é um caos, fruto de um certo rumo à deriva por parte da banda no que diz respeito às gravações, mas em termos de composição, é um dos de topo e Dyers Eve não escapa a esse facto. Um grande tema que seja ouvido em que altura for é impossível não gritar “Dear Mother, Dear Father…”
O riff. É certo que esta é uma música pop, aquilo que a maior parte dos grupos clássicos de rock progressivo se tornaram na década de oitenta - sendo sempre uma declaração definitiva demais e aberta a discussões mas que é bastante próxima da verdade - mas este riff é marcante. Quantas vezes, nos raros momentos em que a minha mente mergulha no silêncio e surge este riff para mostrar como o contraste do silêncio só serve para acentuar aquilo com que o mesmo vai ser ocupado. Um riff monstruoso. No entanto, não basta apenas o riff. É preciso conteúdo e o conteúdo aqui, as letras, são daquelas que fazem tanto sentido, que se tornam perfeitas, acabando por ser uma música lamechas sem ser lamechas, uma música que encerra tanto significado que acaba por passar despercebido perante a música que tem todo aquele aroma à década de oitenta. A prova de que apesar do pop dos anos oitenta não se comparar em nada ao rock dos anos setenta, também fez muita coisa boa. E aquele solo schizo de Trevor Rabin? Sublime.
Move yourself
You always live your life
Never thinking of the future
Prove yourself
You are the move you make
Take your chances win or loser
See yourself
You are the steps you take
You and you - and that's the only way
Shake - shake yourself
You're every move you make
So the story goes
Owner of a lonely heart
Owner of a lonely heart
Much better than - a
Owner of a broken heart
Owner of a lonely heart
Say - you don't want to chance it
You've been hurt so before
Watch it now
The eagle in the sky
How he dancin' one and only
You - lose yourself
No not for pity's sake
There's no real reason to be lonely
Be yourself
Give your free will a chance
You've got to want to succeed
Owner of a lonely heart
Owner of a lonely heart
Much better than - a
Owner of a broken heart
Owner of a lonely heart
Owner of a lonely heart
After my own decision
They confused me so Owner of a lonely heart
My love said never question your will at all
In the end you've got to go
Look before you leap Owner of a lonely heart
And don't you hesitate at all - no no
Owner of a lonely heart
Owner of a lonely heart
Much better than - a
Owner of a broken heart
Owner of a lonely heart
(repeat)
Owner of a lonely heart
Sooner or later each conclusion
Will decide the lonely heart Owner of a lonely heart
It will excite it will delight
It will give a better start Owner of a lonely heart
Don't deceive your free will at all
Don't deceive your free will at all Owner of a lonely heart
Draconian Times será sempre visto como o álbum que catapultou para o mainstream os Paradise Lost. Como muitos críticos disseram, a mistura perfeita entre Metallica do álbum negro com o rock dos Sisters of Mercy. No entanto, no álbum anterior, Icon, a primeira música logo dava a indicação de que não haveriam etiquetas ou rótulos que os impedissem de fazer grandes músicas. Embers Fire é uma grande música da banda britânica, com um refrão inesquecível, uma melodia catchy graças ao uso da guitarra com o pedal wah mas sobretudo com um solo do outro mundo, mostrando que Gregor Mackintosh é um grande guitarrista, sabendo como ninguém, colocar emoção nos seus solos. E é com esta música que os Paradise Lost conseguem tornar-se algo difícil de catalogar e todos sabemos que quando isso acontece é porque se está perante algo muito especial.
A fallen time that's bygone
A crude elite that's from a distant zone
You don't know if It's the truth you told
Anger looks on the quiet dreaming
Seals the sense incandescent ones
Hold back desire for danger
A bet you lose, you'll have no way to turn
I see the man who lives and breathes corruption
Into a circle that you call you own
Don't run away, from the pain, A claim that you deal with
A power game, from within, Impossible for you to see this.
Laid down the laws of deceit
The ones who cherish are the ones who'll go
Into the ashes of a tortured world
Only in mind's eye can you see a light
Harmony break, dark awakes, in old eyes - the trouble, feel it
Here to stay, mark the way, improvise the judgment hearing
Bolt Thrower é uma daquelas bandas que é complicado destacar uma música porque verdade seja dita, há sempre um padrão que as suas músicas acompanham, um padrão que a torna inconfundível. Quer dizer, hoje em dia já existem mais alguns grupos com esta fórmula, mas Bolt Thrower. Esta mistura inconfundível de death metal com umas pitadas de doom em forma de mantra que se repete até à exaustão, antes desta aparecer mesmo. A faixa título do álbum Mercenary é um bom exemplo onde os riffs acabam por ter o papel forte a marcar o ritmo mas ao mesmo tempo acabam também por evocar as tais melodias hipnóticas.
Em termos líricos, não há grande história a evocar. Tal como a maior parte das letras, é sempre acerca de guerra, de perspectivas diferentes da guerra, diferentes conflitos, etc. Não é a poesia mais profunda que se encontra, mas este também não é o sítio para se procurar.
Um malhão de death metal inglês por parte de uma das mais clássicas bandas do estilo. Não há muito mais que se possa pedir ou exigir.
Daquilo que é o grunge, os Alice In Chains sempre foram a banda mais intensa. Nas reacções, nos amores, nos ódios, na musicalidade, na melancolia. Há uma música deles que foi aquela que mais me marcou por motivos de identificação, mas para escolher a que mais me impressionou pelo feeling catchy que transmite, esta Man In The Box é imbatível. É uma música onde a voz de Layne Staley domina e concentra todas as atenções. Aquela linha de voz a acompanhar a guitarra de Jerry Cantrell, no início da música, é marca registada. Só Layne tinha aquele registo. Muitos tentara imitar mas nenhum chegou aos pés. Musicalmente a música tem um groove estranho e o solo foi considerado como o 77º melhor solo de sempre pela Guitar World. Liricamente, a música é uma crítica ao poder e influência dos media nas pessoas, que ironicamente, foi censurada pela MTV. Uma grande malha e a melhor maneira de recordar Layne Staley.
Carcass. Uma banda lendária que influenciou três estilos dentro da música extrema:
O goregrind / grindcore dos primeiros dois álbuns, Reek Of Putrefaction e Symphonies Of Sickness, com muitas imagens dignas de filmes do Fulci, com termos médicos e da anatomia humana, algo que viria a tornar-se um dos principais estilos da música extrema a nível mundial, principalmente no início do novo milénio, a par com o black metal.
O death metal de orientação mais técnica, presente no primeiro álbum com Michael Amott, passando o grupo a ser um quarteto, o clássico Necroticism - Descanting the Insalubrious.
O death metal melódico, que muitas bandas norte-americanas se viriam a apoiar como influência no novo milénio - embora seja sempre discutível esta afirmação, mas é inegável a importância que Heartwork teve, mais que não seja por ter os Arch Enemy como seguimento lógico.
É precisamente do clássico álbum de 1993 que é retirado este Blind Bleeding The Blind, uma das que mais me chamou a atenção quando ouvi o álbum, pelo o seu groove e riff inicial como pelos diversos solos ao longo da música, mas principalmente pelo contraste entre a voz áspera de Jeff Walker e as melodias das guitarras. Aquela entrada devastadora que depois culmina numa série de licks sobre um ritmo cheio de groove é por demais viciante. Não esqueçamos o conteúdo lírico, onde os Carcass já começam a demonstrar uma consciência de critica social nas suas letras.
Um clássico de um álbum cheio deles.
Parched with thirst our cup overfloweth
With the crimson milk of human blindness
In charnel towers of ivory besieged
The bones of subjugation are picked clean
In barren decadence, tears are the only affluence
Welling eyes are indifferent, as the blind bleed
Blood and tear - out damn spot out
The fruits of perpetual decay
Pouring the salts in open wounds - out damn spot out
The scars remain, will stay perpetual decay
Bloody hands never wash clean
Abject misery to bleed
Decadence to feed
Out damn spot out
Parched with thirst how the other half die
Void of compassion our cup runs dry
With a silver spoon born to dig communal graves
The only consecration, the economics of pain
In barren decadence, tears are the fuel of affluence
Wells of blood run diffluent, a bitter harvest to reap...
É lendária a admiração que eu tenho por esta música. Toneladas de arranjos, que mesmo após milhares de audições me continuam a surpreender. É certo que se não fossem as experimentações dos Queen com coros (principalmente no A Night At The Opera) não teríamos hoje em dia os Blind Guardian tal como os conhecemos - Hansi Kürsch multiplicado por mil, arrepia). A Nightfall At Middle Earth é o álbum definitivo da sua carreira, um marco do power metal que ainda não foi superado, tarefa essa quase impossível, arriscaria. Um álbum conceptual sobre uma das obras mais complexas de high-fantasy de sempre (e talvez a primeira) poderia supor que traduzindo para música, o sumo musical seria enfadonho. Nada mais errado e esta Mirror Mirror é a faixa do álbum que mais me apaixona. Empolga (aquele refrão, meu Zeus... a perfeição em forma musical), sossega, tudo com muitas imagens a surgirem da Terra Média. Música com imagens, para um livro com imagens. Perfeição.
É claro que para quem não gosta de Tolkien, ou de high-fantasy, para quem quem não gosta de power metal... tudo isto vale tanto como uma saca de cebolas com grelo. No entanto, para aqueles que se recusam a deixar de morrer a sua parte de criança, para aqueles que vibram com os ecos do passado, um passado em que sonhávamos e não eramos recriminados por isso... esta é a vossa música. Apertem os cintos e bem vindos ao outro lado do espelho.
Uma banda que definitivamente fazia aqui falta, não tanto pelo seu trabalho presente (ou até passado mais recente) mas pela glória do seu passado. Uma banda que compôs hinos do death/thrash que muitos não conhecem ou pelo menos não se lembram de quando se fala de Sepultura (ou até julgariam impossível a banda fazer), principalmente desde que Andreas Kisser entrou para a banda até ao Chaos A.D.. Não que os dois álbuns finais com Max Cavalera não contenham mutias músicas que possam figurar neste blog, mas a força dessas músicas é a força da simplicidade, enquanto este tipo de músicas a que me refiro são um pouco mais complexas.
E por falar em complexidade, que tal um épico de sete minutos, instrumental que é simplesmente deslumbrante na sua estrutura, riffs e solos? Só é pena a produção ser um pouco podre, mas isto regravado com uma produção actual, sem dúvida que seria (ainda mais) uma malhão intemporal. Toda a dinâmica creepy do início, as constantes reviravoltas, mudanças no ritmo e claro, o dom de fazer o ouvinte abanar o carolo até não poder mais.
Há qualquer coisa na Escócia que me fascina profundamente. Não sei se são as paisagens, o ambiente histórico, as personagens, o som das gaitas-de-foles, ou tudo junto, mas é um país que o sinto como meu, embora nunca tenha estado lá. Quando ouvi esta música pela primeira vez em meados de 96, numa cassete cheia de videoclips do canal alemão de música Viva (o que a malta fazia antes para ter acesso à sua música de eleição) fiquei logo, "Woow! Que banda é esta da qual eu desconhecia por completo a sua existência?!" Obviamente que o nome Grave Digger ficou a figurar na minha extensa wanted list da altura. Assim que apanhei o álbum, Tunes Of War e me apercebi que o álbum era conceptual que contava parte da história da Escócia, fiquei com a certeza de que era um dos álbuns da minha vida. Mesmo antes de ouvir. Mas isso são outras histórias.
Voltando ao tema propriamente dito... este começa com o refrão em coro, e passa depois para a distorção, com um grande riff tenga tenga que dá mesmo gozo abanar o carolo. Quando Chris Boltendahl abre a goela parece que estamos na presença de um Gnu que ficou preso com uma pata numa armadilha de urso e desata a (tentar) cantar o hino nacional da Suazilândia, mas hey, é metal e depois de ouvir aquela voz, mesmo sabendo que pode fazer mal à saúde, não se quer outra coisa, porque esta música... esta música, meus amigos, é daquelas que nos faz erguer o punho no ar assim que a ouvimos. Estejamos onde estivermos. Até mesmo na casa de banho. Quando estamos sentados. A... coiso.
The clans are marching `gainst the law
Bagpipers play the tunes of war
Death or glory i will find
Rebellion on my mind
Rumours know that rebellion will break out
Bonnie Prince Charles is in the highlands to claim his crown no doubt
He raised his Standart at Glenfinnen calling to our pride
O regresso dos My Dying Bride à sonoridade mais pesada depois de um álbum mais experimental tem como seu primeiro impacto a música She Is The Dark que não é nada mais nada menos de que uma negra ode à peste negra, flagelo das idades medievais. O ambiente é de tal forma intenso, tal como a declamação de Aaron Stainthorpe, que é impossível não se ficar arrepiado e não mergulhar de cabeça no poema que fala desta senhora negra que varreu a Europa séculos atrás. Já disse muitas vezes e vou voltar a dizer, toda a música que me faz ver imagens, que desperta a criatividade em mim, é a música que eu tenho de ouvir frequentemente. Esta é uma daquelas que desperta toda essa criatividade e as imagens são as de um filme mudo, sépia, de uma senhora Morte e uma das suas filhas, a Peste Negra.
A cruel sleep 'cross our land
All withered and dying
As the[y] fall, the victims
They're dying a sad death
In our land, we lay down
And suffer again
A dark girl 'cross our land
Is pacing. Is preying
And with her, a fever
A marching black fever
No eyes see. No features
Just black form, suffering
You have her sympathy
You have her tears
She tries only to take
All your fears
The pain she feels
When she drinks your soul
Is hers to suffer
It is her toll
Believe me, she's helpless
When she curses our land
When she swallows light
It's not her hand
Poison awaits when you kiss her
Her heart cries out for you, for me
Untold misery is hers to serve out for eternity
Out cold. Mankind will stay forevermore if she gets her way
Slpknot foi uma das bandas mais extremas (se não a mais extrema) dentro do “movimento” nu-metal e pode-se interrogar se quanto na banda, nas suas músicas ou mensagem não era um golpe de marketing. É um debate que uns anos atrás seria capaz de gerar polémica, mas se calhar agora nem por isso. De qualquer forma, e depois de passada a moda, heis que surge uma música capaz de deitar por terra esta imagem justa ou injusta. Snuff é das mais poderosas baladas da banda menos provável de as fazer. Talvez pela força das letras conjugada na perfeição com a música em crescendo e com os arranjos e melodias – sim, melodias – que faz com que mesmo quem não goste da banda, mesmo quem deteste a banda, adore esta música. Ou pelo menos ficar completamente indiferente. A não ser que nunca tenha passado por algo parecido.
O video-clip não enquadra tão bem o espírito da música, mas de qualquer forma, está bem conseguido.
Bury all your secrets in my skin
Come away with innocence and leave me with my sins
The air around me still feels like a cage
And love is just a camouflage for what resembles rage again
So if you love me let me go
And run away before I know
My heart is just too dark to care
I can’t destroy what isn’t there
Deliver me into my fate
If I’m alone I cannot hate
I don’t deserve to have you
Ooh, my smile was taken long ago
If I can change I hope I never know
I still press your letters to my lips
And cherish them in parts of me that savor every kiss
I couldn’t face a life without your lights
But all of that was ripped apart when you refused to fight
So save your breath, I will not care
I think I made it very clear
You couldn’t hate enough to love
Is that supposed to be enough?
I only wish you weren’t my friend
Then I could hurt you in the end
I never claimed to be a saint
Ooh, my own was banished long ago
It took the death of hope to let you go
So break yourself against my stones
And spit your pity in my soul
You never needed any help
You sold me out to save yourself
And I won’t listen to your shame
You ran away, you’re all the same
Angels lie to keep control
Ooh, my love was punished long ago
If you still care don’t ever let me know
If you still care don’t ever let me know
Mais uma balada. Eu sei, eu sei, é só baladas, mas eu sou um rapaz sentimental, o que é que eu posso fazer quanto a isso? Esta fez parte de uma grande banda sonora, O Último Grande Herói, e tem uma daquelas coisas fantásticas que é encontrar palavras para sentimentos que não se encontram palavras para os descrever. O sentimento épico e meio apocalíptico das orquestrações junto com a voz meio ácida Geoff Tate a cantar frase de desespero por estar perdido num mundo interior, longe de tudo e de todos, onde alguns tentam atingir mas ninguém consegue alcançar. Pode ser uma balada mas tem um coice de uma marrado de um boi desgovernado.
(eu disse que não se encontravam palavras para descrever)
Strange, the view from here
Words we spoke, forgotten at the time
Now replay in my mind
What went wrong, what was right
Looking back, I never was there for you
You didn't say, but I know it's true
I can't find the real world alone
Every time I think I've won
I hear your voice inside, questioning
Where have you gone
Can't you remember feeling so alone
You always had the answer that I could not see
I can't find the real world
I can't find the real world
I can't find the real world alone
I can't find the real world
I can't find the real world
I can't find the real world alone